Mercado Musical Descendo a Ladeira

Comparando publicações da ABPD (Associação Brasileiras de Produtores de Discos) é possível comprovar o que todos já sabem: cada vez menos as pessoas compram discos.

Entre defensores do mercado tradicional e da música livre e gratuita, existem centenas de argumentos mas um fato apenas: o mercado está minguando. Segundo os dados, em 2000, quando já existia o MP3 e a pirataria (principais algozes do mercado fonográfico) as vendas de CDs no Brasil ultrapassaram os 94 milhôes de cópias totalizando 890 milhões de reais. Em 2011, a cifra fechou em 196 milhões de reais por minguados 18 milhões de CDs.

Estes números demonstram duas coisas que nós, profissionais do meio da música, precisamos, mesmo que a contragosto, entender:

1 – O mercado como conhecemos está morrendo.

Sim, ele está agonizando. Há quem defenda que já morreu, está morto e enterrado, mas, como vimos, ainda movimenta milhões de reais. Apesar disso, existe a cultura, defendida por muitos, de que a música deve ser gratuita e por conta disso muitos baixam gratuitamente discografias inteiras ou novos álbuns antes mesmo de seu lançamento oficial.

Resultado: as empresas encolheram, muitas fecharam ou se fundiram, menos gente trabalha apenas com a música para sobreviver e todo aquele texto que quem trabalha na área já recitou diversas vezes em tom de aborrecimento. O músico, que já ganhava um valor simbólico no velho modelo, agora conquista cada vez mais o status de mendigo da música.

2 – É preciso repensar a música dentro de um novo formato, onde as vendas de material oficial não configurem fonte de renda, já que configuram cada vez menos.

É evidente que é lamentável que ocorra esse encolhimento, pois vários músicos, produtores, técnicos, gravadoras, selos e profissionais de música em geral acabam por deixar esse mercado ou apenas sobreviver dele. No entanto, a mudança aconteceu e é necessário lidar com ela. O que pode parecer conformismo ou um pensamento derrotista na verdade é apenas uma interpretação dos dados citados. Não há, hoje, nenhum motivo para acreditar que o traço descendente que virou o grafico da industria fonográfica vá, de maneira mágica, se converter em uma curva exponencial.

Portanto, é hora de parar com a lamentação e pensar, pensar, pensar muito e inovar. Porque do jeito que foi, não será novamente e do jeito que está, descendo a ladeira, também não dá. A reformulação é a única forma de realmente valorizar nossa música, nossa arte, nossos profissionais e nossa cultura.

Viva a Música! Sempre!

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One response to this post.

  1. Com o “mercado” investindo cada vez mais em one hit wonders de qualidade duvidosa e explorando até a saturação a imagem dos caras que dão certo com mais de dois álbuns e DVDs ao vivo e coletâneas por ano, era de se esperar.
    No mais, os consumidores de hits não compram álbuns (acho), quem compra álbuns são fãs de música, e como temos pouca música que mereça esse título sendo lançada fica meio óbvio onde essa espiral vai dar.

    Responder

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