Ditadura e Democracia em 2012

Vivemos em uma democracia.

Pelo menos é isso que se espalha pelas ruas, se ensina nas escolas e se enche o peito para afirmar sempre que é necessária alguma decisão ou mudança que afete a todos na sociedade. Somos criados sob a afirmação de que vivemos em uma república democrática, onde o voto popular é soberano e dele nascem toda e qualquer diretriz imposta pelo estado.

Uma falácia.

A idéia de que somos livres, somos soberanos, temos o poder do voto, é apenas um engodo, uma conversa pra boi dormir, que tem como único objetivo manter a população pacífica e passiva diante de tudo, funcionando basicamente (e de maneira eficaz) através da troca de ilusões: a população acredita que tem o poder e o poder mantém firme o discurso de que o poder é popular.

No entanto, diversos são os indícios e provas concretas de que não, não vivemos em democracia alguma. Ainda temos que conviver com um estado que ignora e reprime o debate sobre questões de suma importância como aborto e drogas. Ou ainda somos submetidos aos “cuidados” de uma polícia violenta e despreparada, mal remunerada e adepta da repressão, um reflexo nítido dos tempos da ditadura.

A ditadura, aliás, manda lembranças. Ainda hoje temos, como uma incômoda pedra do sapado do cidadão, a famigerada bancada evangélica, que munida de seus preceitos fundamentalmente religiosos, julgam-se no direito de intervir em questões importantes em nome, unica e exclusivamente, de sua crença. Não seria essa uma nova versão, light, zero açúcar, do “Deus, Pátria e Família”?

No mercado de trabalho, ainda hoje temos mulheres ganhando menos que homens, negros ganhando menos que brancos e gays sendo preteridos independentemente de suas competências, num claro reflexo do conservadorismo na sociedade, ainda que em 2012.

E a imprensa… oh, a imprensa. Maravilhosamente atuante no que tange a seus interesses, é capaz de transformar qualquer irregularidade em horrendo ou irrelevante, dependendo da situação. A imprensa que falsamente se diz escandalizada com a corrupção (que existe há exatos 502 anos no Brasil) é a mesma, exatamente a mesma, varreu pra debaixo do tapete o Pinheirinho e todo o horror que envolveu o caso. A imprensa é a mesma que a cada movimento grevista joga, invariavelmente, a opinião pública contra os trabalhadores que estão lutando por melhores (ou menos piores) condições de trabalho. A imprensa serve aos interesses do estado, igualzinho à época da ditadura militar.

Num estado dito democrático ainda existe o serviço militar obrigatório, assim como a incoerência-mor: obrigatoriedade do voto. Até para exercer nossa capenga democracia existe algo que vai totalmente de encontro ao conceito.

A verdade é que o Brasil saiu da ditadura, mas a ditadura, infelizmente, não saiu do Brasil.

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