Alvaro Pereira Jr x Pablo Capilé – Música, Cultura, Grande Mídia e Independência

Rolou uma polêmica nervosa.

De um lado, um jornalista de um grande grupo: Alvaro Pereira Junior, da Folha de São Paulo. Do outro, o Circuito Fora do Eixo, grupo formado por artistas, produtores e articuladores culturais de todo o Brasil, representado pelo gestor Pablo Capilé.
Na semana passada, Alvaro cometeu a infelicidade de escrever um texto completamente obtuso a respeito da cena independente se São Paulo e do Brasil. Como quem com ferro fere, com ferro será ferido, Pablo Capilé envioucarta resposta ao jornalista, que foi prontamente publicada pela Folha.

(Acho importante que os interessados leiam os textos com atenção para que meu ponto de vista fique claro)

Pois bem.

O que tivemos através do Sr. Pereira foi uma clara demonstração de como a grande mídia, aquela tradicional, poderosa e milionária comandada por senhores que, como diria Johnny Cash, estão provavelmente bebendo café e fumando grandes charutos, encara a produção independente de música e cultura no Brasil. Para ela, o que não se converte em audiência, em vendas e em dinheiro não tem valor e merece um ataque que vise sua destruição, mesmo que isso signifique uma estupidez sem tamanho.

A produção dos artistas e profissionais do Fora do Eixo é algo que deveria ser exaltado e respeitado por qualquer profissional de imprensa. Um grupo de mais de cem coletivos que fazem artistas que não recebem espaço nessa mesma grande mídia da qual pessoas com esse tipo de postura fazem parte conseguem, através do circuito, rodar o país com baixo custo e, assim, divulgar seu trabalho pulverizando cultura onde jamais conseguiriam sem esse tipo de iniciativa.

Mas não.

Ao invés de escrever qualquer outra coisa menos nociva, Alvaro Pereira Junior preferiu atacar os artistas independentes, aqueles que são, exatamente, os que mais dependem. Ao invés de simplesmente não fazer o mal e deixá-los seguirem seus caminhos, não. Foi preciso escrever de forma obtusa e deselegante, desmerecendo o trabalho e caindo na simplificação burra de comparar o Fora do Eixo a um aglomerado de pessoas oportunistas e sem talento.

Ao invés de construir e contribuir para o crescimento, Alvaro preferiu a construção frasal destrutiva e sem embasamento algum. Palavras ao vento. Ignorância de quem não vive o que os artistas independentes do Brasil vivem e nem se deu ao trabalho de pesquisar para não falar bobagem.

Com todo o respeito que lhe é devido, ele deveria ter ficado quieto.

O apoio estatal ainda é uma forma de fomentar e produzir cultura nesse país. Não existe uma Ancine para a música. Não existe nem respeito para a música. Não existe nada. Só existe jornalista desinformado e corporativista que não apóia e trata com desdém. Isso tem de sobra. Esse é o motivo de os festivais pagarem hospedagem e alimentação para jornalistas em festivais: porque se não for assim eles simplesmente ficam escrevendo coluna idiota e não comparecem aos eventos.

Eu sou apenas um músico, produtor e jornalista inexpressivo se comparado a um jornalista da Folha. Minha opinião pesa muito menos que a do Sr. Pereira. Mas é preciso dizer que Pablo Capilé tomou a melhor das atitudes: responder à ignorância e à prepotência com clareza e informação.

Palmas pro Capilé. E que da próxima vez o Alvaro pense melhor antes de escrever besteira sobre um assunto que não domina.

Isso é muito, muito feio.

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