Tonho Crocco, a Gangue da Matriz e a volta da CENSURA.

Eu não canso de me surpreender negativamente com esse país.

Hoje, enquanto me divertia no Twitter me deparei com o este manifesto, de autoria de Tonho Crocco (ex-Ultramen). Nele, Tonho relata a situação desagradável à qual está sendo submetido: um processo do Ministério Público encaminhado em nome do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e atual Deputado Federal do PDT Giovani Cherini. Motivo alegado: crime contra a honra.

Em dezembro último 36 deputados votaram, “supreendentemente”, a favor de um aumento de 73% NOS PRÓPRIOS SALÁRIOS. Tonho não foi mais um brasileiro a se manter estático diante do absurdo: escreveu a excelente canção “Gangue da Matriz”, que pode ser conferida abaixo. Nele, cita os nomes dos deputados que utilizaram da função em benefício próprio.

De todos os absurdos com os quais me deparei na vida em quase 30 anos, seja como músico, jornalista ou cidadão, este é um dos maiores. Essa ação descabida é uma tentativa nítida de trazer de volta o que existia de mais cômodo na época da ditatura militar: a CENSURA.

Quem ler a letra perceberá que não existiu ofensa, não existiu agressão, existiu apenas a CITAÇÃO dos deputados que votaram a favor do aumento de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34.

Ofensa foi utilizar de um mandato para quase dobrar o PRÓPRIO salário.

Crime contra a HONRA é aprovar esse tipo de exagero enquanto o salário mínimo regional é de R$610,00.

A atitude do senhor Cherini pode ser perfeitamente legal, mas é, sem dúvida alguma, imoral. Tentar calar um artista desta forma é autoritário, é tirano, é rídiculo e é tacanha.

O Brasil não precisa disso. Mas, infelizmente, precisa conviver.

Uma vergonha.

O povo gaúcho sempre teve como característica muito forte a honra e a hombridade. Ainda há tempo para que seja demonstrada alguma sensatez e esta ação seja retirada.

Meu respeito e minha solidariedade a Tonho Crocco.

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2 responses to this post.

  1. Tu percebe quando ta tudo errado quando algo IMORAL é LEGAL perante a lei…
    Aí é foda…
    Nenhum cargo público deveria ter o poder de definir benefícios próprios… (salário, como exemplo).
    Esse tipo de situação deveria ser escolhido pelo povo através de votação e etc…
    Aí eles defenderiam os argumentos deles pra convencer a população 😉
    Ou o que é mais justo ainda…
    Que a remuneração para um político fosse o salário mínimo.
    O motivo? é simples…
    É um salário que deveria suprir todas as necessidade de uma família…
    Sendo assim, o exemplo vem de cima pra baixo.
    Se isso acontecesse, ou teríamos o melhor salário mínimo do mundo ou os melhores serviços públicos do planeta! (educação, saúde, seguranças… etc…)

    Responder

  2. Posted by ANDRE on 4 de agosto de 2011 at 3:09

    Quando alguém vem com sua voz e sua indignação falar o que muitos deveriam falar, é vítima de intimidação quando na verdade quem deveria ser intimidado é quem foi eleito pelo povo mas que na hora de pensar neste mesmo povo, os papagaios na tribuna aumentam seus salários sem maiores alardes e de um conformismo e não existe ninguém para acabar com isso por essas mesmas pessoas parecem acima da lei. Enquanto isso nas ruas viva a desgraça social.

    Responder

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