Iniciativa Pública X Iniciativa Privada

Quem me conhece sabe que eu trabalho em um grande banco público federal. Depois de algumas demissões em estagios na adolescência, prometi pra mim mesmo, no melhor estilo Scarlett O’Hara: Nunca mais seria demitido.

A solução? Uma só. Tornar-me um funcionário concursado, o que, na prática, reduz as possibilidades de demissão apenas à chamada Justa Causa.

Comecei a fazer sucessivos concursos, até que passei, em 2000, neste do banco. Em fevereiro de 2002 veio a convocação e lá estou desde então. Apesar de ser um funcionário CLT, como qualquer peão comum, existe, na prática, uma certa estabilidade. Isso se deve ao fato de a contratação ser permitida apenas através de concurso público.

Mas nem tudo são flores na iniciativa pública. Na privada (com o perdão do trocadilho) existe mais liberdade pra fazer o que é necessário. Já em uma empresa pública existem uma série de leis e normas que, por vezes, “engessam” iniciativas e atitudes que poderiam melhorar o desempenho e o andamento do trabalho.

Basicamente enxergo dessa forma: o preço da liberdade que se tem na iniciativa pública é o risco de acordar no olho da rua.

Como tudo na vida, existem vantagens e desvantagens. Trabalhando em uma empresa pública você tem segurança, garantia do salário e benefícios na data certa (na maioria dos casos). A crise, via de regra, não atinge uma empresa pública. Ao mesmo tempo não pode negociar um aumento ou pleitear uma promoção apenas por negociação. Na empresa privada seu salário pode atrasar, a “contenção de despesas” é a justificativa perfeita para qualquer coisa que te prejudique e, ainda, você trabalha exclusivamente para deixar seu patrão mais rico.

Outra desvantagem do serviço público é que existem, sim, pessoas que se aproveitam desta estabilidade para se acomodarem e deixar a carga de serviço para quem realmente está disposto a trabalhar. Como em qualquer empresa, existem bons e maus funcionários. A diferença é que “promover pro mercado” é muito mais complicado em uma empresa pública. Ao mesmo tempo, os funcionários de empresas públicas podem lutar por seus direitos através de movimentos com menos medo de represálias que os colegas de empresas privadas. Esses, se falarem torto estão demitidos.

Alguém pode usar os comentários para dizer “basta você ser um bom profissional para manter-se no emprego”. Me permito discordar. Salvo determinadas áreas específicas, existe uma oferta muito grande de gente querendo trabalhar. Demitir o cara que ganha X para contratar outro para o mesmo serviço pela metade do preço acaba sendo um bom negócio, apesar dos pesados encargos trabalhistas.

A segurança é o que mais atrai as pessoas nos editais de concursos e isso a iniciativa privada não consegue (ou não quer) oferecer.

Talvez o mapa das coisas deva ficar exatamente assim.

Dois lados  e quem quiser que escolha o seu.

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2 responses to this post.

  1. Posted by Bruno on 13 de agosto de 2012 at 13:54

    O texto pode ficar bem melhor se for deixado de lado o sentimento emocional sobre o assunto e deixar assumir, pura e simplesmente o argumento científico.

    Responder

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