Ladros e Produção Musical

Sempre fui um grande apreciador de música, já se vão 20 anos desde que fui apresentado ao meu primeiro álbum de Rock, o excelente “Appetite For Destruction” do Guns n’ Roses. Desde então ouvi muita coisa, aprendi a tocar, fiz mais de 100 shows, resenhei mais de 100 shows, enfim, angariei uma bagagem da qual me orgulho.

Mas o ser humano é estranho, e sempre quer mais. Havia ainda uma coisa na música que me atraia e pela qual nunca havia me aventurado: a Produção Musical.

Com a idéia de fazer apenas Direção Artística e a procura de uma banda que me motivasse, comecei a observar com mais atenção a cena e o Myspace. Certo dia, em uma reunião de músicos em Esteio, encontrei meus amigos Vitor e Jonas, da então Chapo Punks.

Eu já conhecia o trabalho da banda e identificava neles boas composições. O estilo punk que remete diretamente aos Ramones e os refrões grudentos me fizeram ver muito potencial na banda. O lado negativo? Estavam verdes. O som soava muito cru. Pareciam “apenas mais uma banda punk”.

Propus aos caras fazer a direção artística. Assim mesmo, na parceria. Sem ganhar um centavo. Até aí, sem novidades. Nada diferente da maioria dos shows que fiz na vida como músico. Minha função seria identificar os pontos fortes e fracos e lapidar a banda para que pudessem amadurecer. Essa proposta foi analisada pelos integrantes e aceita, o que me deixou muito feliz.

Diante da informação de que tinham sido contemplados com o FUMPROARTE de Esteio, levei a eles a possibilidade de gravar no AudioFarm. O AudioFarm, pra quem não conhece, é um excelente estúdio, localizado entre Porto Alegre e Viamão, com uma estrutura fantástica e um profissional não menos incrível: meu amigo de longa data Mateus Borges.

A banda ficou de pensar no caso, mas acabou fazendo uma visita. A estatística demonstra que quem visita o AudioFarm não resiste.

Logo na primeira conversa, o Mateus incentivou que eu assumisse não apenas a Direção Artística, mas a Produção do trabalho. Fiquei receoso. Nunca havia produzido. Mateus deu seus argumentos e acabei topando, com o aval da banda.

Começamos um trabalho de pré-produção, muito dedicado. As deficiências foram sendo identificadas e prontamente consertadas. Os pontos fortes foram potencializados. Mexemos muito nos temas. Sugerimos trechos. Surgiram arranjos. Tudo para poupar tempo e energia na gravação. Algumas seções da pré rolaram em Esteio, outras no AudioFarm com supervisão do Mateus. A cada seção, mais avanços e ia se formando a personalidade da Ladros.

Eu sou esse do canto, em primeiro plano.

Nesse meio tempo também aconteceu algo que vejo como saudável: a mudança de nome. Chapo Punks era um nome que vinha causando alguns inconvenientes para a banda. Já o curto e sonoro Ladros me pareceu bem mais adequado. Mas essa foi uma decisão que não partiu de mim. Dei minha opinião, claro. Mas veio dos caras.

Todos suaram as camisas e justificaram suas participações. Eduardo, o batera, aprendeu muito sobre dinâmica e também a trabalhar com metrônomo. Gabriel, o baixista, se soltou e cresceu dentro da banda. Saiu da sombra do guitarrista e irmão Vitor para ser peça importante na construção da música da Ladros. Vitor, guitarrista e líder da banda, aprendeu melhor a trabalhar com outras opiniões, criou vários arranjos legais de guitarra, incorporou outros através da produção, e não se mixou para semanas de trabalho até chegarmos no solo adequado para um dos temas. E, por fim, Jonas, o vocalista, ganhou mais personalidade, cantou muito bem, afinadíssimo, surpreendendo a todos e cumprindo seu papel de forma rápida e eficiente.

Eu, deixando a modéstia de lado, me saí bem. Consegui extrair da banda aquilo que julgo que era o melhor naquele momento. Aprendi que Produção Musical é um trabalho excelente, com o qual muito me identifiquei. Aprendi também que é uma construção muito gratificante e que gera resultados gratificantes quando as composições são boas. Estou muito orgulhoso do resultado e vou mostrar para todos esse como meu primeiro trabalho de produção. Quero aqui agradecer todo o apoio, incentivo e suporte do Mateus Borges e dos caras da Ladros.

Terminada a produção, a primeira surpresa: O som dos caras pode ser ouvido durante o mês de Janeiro na rádio Pop Rock.

Para finalizar, fica aqui o jábá: Já é possível ouvir e baixar o som dos caras NESTE LINK.

Espero que gostem!!! Eu adorei fazer parte disso!

Que venham os próximos!

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6 responses to this post.

  1. Posted by Jéssica Juski on 19 de março de 2011 at 17:27

    Olá Marcel, parabéns pelo seu trabalho e que continue crescendo !
    Me interessei muito muito muito pela sua história.
    E preciso demais conversar com alguém como você, pois é esse o futuro que eu quero pra mim também, tenho procurado mas ou as pessoas não querem ajudar ou estou indo nos lugares errados. Por favor mande-me um email pra que possamos conversar, obrigada.

    Responder

  2. Mazaaaaah!
    Antes de mais nada muito obrigado MESMO pelas palavras e pelo carinho. E ratificando, tu te saíste foi é MUITO bem em minha humilde opinião! Aniquilou a pênis (porque matou a pau é feio) e mostrou que realmente se importava com o resultado. Os guris cresceram à um ponto até desconcertante, principalmente o Jonas! Enfim todos estão de parabéns! Inclusive eu! hehe =)

    Responder

  3. Eu que agradeço por este período tão bom que foi.
    Música é algo extremamente bom de se trabalhar, e fazendo isso com quem confiamos e gostamos fica melhor ainda.

    Abraço e boa jornada agora como produtor, Marcel!

    Responder

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