Michael Moore

Michael Moore, pra quem não conhece é um cineasta americano genial que faz documentários chutando o balde e esculhambando o que deve ser esculhambado.

Há poucos dias eu estava conversando com a Fabi sobre a imagem do Brasil pro mundo e a dos Estados Unidos pro mundo. Ela disse que ninguém que faz cinema nos EUA faz filmes falando mal do próprio país.

Eu retruquei: “Só o Michael Moore”.

E realmente. Só ele.

Michael Moore nada contra a corrente e bota o dedo na ferida. É por isso que ele tem tanto do meu respeito e da minha admiração.

Já defendi, em outro texto, que o Brasil precisa, urgentemente, de um cara assim: que use o cinema pra jogar a verdade na cara das pessoas.

Mais de quatro anos se passaram desde o texto original e o Brasil segue sem o seu Moore.

Deixo, abaixo, o texto para que possam ter um pouco do que eu penso sobre o uso do cinema como arma de defesa de um povo.

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Michael Moore

Por algum tempo apenas ouvi falar em Michael Moore. Só sabia que ele tinha representado muito bem a classe dos gordos esculhambando Bush ao receber o Oscar de melhor documentário pelo excelente “Tiros Em Columbine”.

Um belo dia ouvi um comentário do Eduardo Santos, da rádio Ipanema, ainda na primeira semana de cartaz do filme “Farenheit 9/11” contando alguns detalhes sobre o documentário. Aquilo aguçou minha curiosidade com relação ao cara e então minha mais pura curiosidade mórbida me levou ao cinema.
E o que eu obtive foram básicamente duas coisas: choque e alívio.
Choque.
Não há como ficar imune as revelações bombásticas do filme. São inúmeras negociatas e falcatruas. Maracutaia mesmo! Um congressista que admite que não se lê a maioria dos projetos aprovados, recrutadores das forças armadas vendendo a adolescentes pobres o sonho de conhecer o mundo através do US Army, relações comerciais estreitas entre os Bush e os Bin Laden (isso mesmo, você não leu errado).
Multipremiado, inclusive em Cannes, o documentário foi censurado nos Estados Unidos e liberado após pressão popular. Censura que não me surpreendeu nem um pouco, vindo de quem veio. Honestamente, não sem como Michael ainda está vivo. Os Estados Unidos não são prepotentes apenas com pequenas nações muçulmanas ricas em petróleo. Não. Eles são algozes de todo aquele que se mostrar contrário. Eu não sei por que, mas isso me cheira a ditadura. Não é algo no mínimo incoerente, sendo que estamos falando da terra das oportunidades? Aquela estatua está lá pra que? Estética? Parece que sim, e Michael está mostrando isso pro mundo. Toda a podridão nas entranhas (desculpem o termo, mas não achei nenhum melhor) da terra do Tio Sam. Verdade nua.
Inevitavelmente, fiquei muito interessado no Tiros em Columbine e fiquei igualmente encantado com o trabalho desse gordo.
Depois de ver que um, um único, cineasta conseguiu fazer todo esse alarde e abrir os olhos de muita gente pra tudo que acontece e ninguém fica sabendo, chego a duas conclusões:
1 – Não é difícil fazer.
2 – Precisamos, urgentemente, de um Michael Moore.
Não adianta ficarmos com discursos pré-prontos de “o canal X mente!” ou “o jornal Y é tendencioso”. Não. Precisamos de alguém que mostre como é por dentro. Que rompa os limites e abale as estruturas. Alguém que desmascare Severinos e ACMs. Alguém que diga com todas as letras “Isso é um absurdo, estão fazendo A, B e C e os responsáveis são Fulano de Tal e Beltrano de Tal”.
Eu me recuso a creditar que não tenha ninguém nesse país interessado em financiar um projeto desse tipo. O retorno, tanto social como financeiramente falando é garantido e o tempo urge com relação a essa questão.
Chega de pagar impostos que não sabemos de onde vieram, pra onde vão ou a quem eles alimentam. Chega de conviver com a empáfia de presidentes da câmara que reclamam da miséria dos salários dos daputados.
Eu não sou cineasta e não sou escritor. Eu sou músico.
Está lançada a idéia.
Precisamos de um Michael Moore.

 

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2 responses to this post.

  1. Posted by Alex Sander de Oliveria on 7 de dezembro de 2010 at 23:27

    Salve, Marcel

    Desta vez quero humildemente discordar do amigo. Michael Moore é genial, mas é fruto do meio. A capacidade de rir de si mesmo acho que é a única coisa que realmente admiro nos americanos. E o cinema e a televisão, neste sentido, é bem menos careta que a nossa. Os Simpsons e seu clone Heavy Metal “Family Guy”. Filmes como “Obrigado por Fumar”, Saturday Night Live. Enfim, a lista é interminável. Acho que falta um pouco disso ao povo brasileiro e ao gaúcho que é muito radical neste sentido. Assumir o seu próprio ridículo é uma forma de ir pra frente. Mas vejo coisas alvissareiras em CQC, Tudo Junto & Misturado, Cilada e no twitter “O Bairrista” que conheci através de um RT do amigo.
    Forte abraço e cadê o meu café?

    Responder

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