Pista VIP – Isso Precisa Acabar

De alguns anos para cá temos visto nos grandes shows internacionais (ou mesmo alguns nacionais) uma coisinha famigerada que tem como único objetivo capitalizar ainda mais o evento: a Pista VIP.

Pista Vip (ou Premium, ou Gold, ou seja lá o que for), para quem não sabe, caracteriza-se quando a produtora do evento separa a fatia da pista mais próxima do palco e vende um ingresso mais caro para quem quiser ficar por ali. Via de regra esse ingresso é mais ou menos o dobro do ingresso de pista comum.

Isso não existia. Isso foi mais uma das coisas fantásticas que só o capitalismo proporciona.

Em alguns shows chegamos ao absurdo de termos “Pista Premium” E “Pista Gold”. E o melhor: o ingresso de pista comum não barateia com isso.

O que acontece na prática é que esses lugares privilegiados ficam, obviamente com QUEM TEM MAIS GRANA, e não com o fã que se esforça para ficar mais próximo do seu ídolo. O cara que fica 3 dias tomando chuva e sol na cabeça nas tem “só” R$120,00, esse fica no fundo. O cara que usa camisa polo e vai fazer uma onda para a namoradinha, esse sim, tem privilégio, desde que pague R$500,00.

Isso em incomoda. Isso me irrita. Principalmente em shows de Rock.

O último e derradeiro exemplo que tive para escrever esse texto foi o show do Paul McCartney. No “Gramado Premium”, que ocupava, pasmem, METADE DO GRAMADO DO ESTÁDIO BEIRA RIO, gente da alta sociedade, pequenos burgueses de salto alto ou camisa polo. Nos outros setores, os verdadeiros fãs.

Isso não é impressão minha, nem tampouco preconceito: ficou claro com o barulho que essas pessoas faziam e com o quanto demonstravam conhecer o trabalho de Paul McCartney. O barulho vinha dos outros setores. Claramente.

No entanto, algumas bandas tem postura e se mostram contrárias a isso. O show do AC/DC em São Paulo não teve Pista VIP. Resultado: um dos melhores shows de Rock que esse país já viu, uma grande confraternização sem segregação de público ou discriminação.

O Rage Against The Machine é mais agressivo em seu posicionamento: incita a invasão dessas áreas. Particularmente eu acho um pouco de irresponsabilidade (porque, afinal, coloca a integridade física de pessoas em risco), mas eu entendo a postura. Os protestos do Rage Against contra esse tipo de coisa tem dado resultado: após um incidente no Chile, o show do Iron Maiden no mesmo país não terá a Pista VIP.

Enfim, se alguém deve ser tratado como VIP é o fã, para quem aquele artista tem relevância, não qualquer um que apenas tem dinheiro pra pagar. Uma pista comum a todos separa o fã do não tão fã assim, separa o joio do trigo, separa os homens dos guris.

Vale lembrar que nesse país idiota e atrasado que a gente mora, o salário mínimo é de R$510,00. O ingresso do Gramado Premium do Paul McCartney custou mais que isso. E existe a possibilidade de o u2 vir aí.

Eu não estou aqui para condenar a produtora A, B, C, X ou Y. O problema não é a produtora, e sim a prática, que está se tornando comum e sendo, aos poucos, tolerada. Entendo que eventos têm custos, mas existem formas menos discriminatórias de gerar receita.

Pista VIP – Isso Precisa Acabar.

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11 responses to this post.

  1. Concórdo com cada palavra do post e com muito do que foi dito nos comentários mas faço uma pergunta: E o cara que é fã e que trabalha pra caramba e não tem como sair dois dias antes pra pegar um bom lugar ??? O que esse cara pode fazer pra ter um lugar foda na pista ???
    Eu vou à shows internacionais desde 1998 e já encarei todo tipo de pista e sou contra, sem dúvida, a pista premium. Porém, acho que seria bacana existir um mecanismo que possibilitasse o cara que não é adolescente e tem outras responsabilidades e que vai chegar um pouco mais em cima da hora de ter um lugar bom que possa ver o espetáculo. Não digo a fila do gargarejo mas sim um lugar com uma visão privilegiada e sem luta física para tal 😉
    OBS: Comecei o show do Green Day na pista lá no fundo… Duas rodas Punk depois eu estava na terceira fila com uma visão muito foda do palco 😉

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    • No show do Rush, cheguei “em cima da hora”, nem fila direito eu peguei. Em menos de 10 minutos, e sem roda punk, eu estava a DUAS PESSOAS da grade que separava a “pista premium”. E só não fui mais porque não queria ser amassado na grade no início do show, como aconteceu com quem estava lá.

      Alguns “fãs de carteirinha”, também são o problema de algumas bandas.

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  2. Não que eu não concorde, mas a prática não é nem um pouco nova. Só mudou de nome.

    Lá pelos idos de 1986, fui no meu SEGUNDO SHOW na vida, e o primeiro que lembro: The Cure. No gigantinho. Tinha preços diferentes para POSICÃO nas arquibancadas, para cadeiras e para a pista (que no fim os caras liberaram, porque fizeram a merda de vender ingressos demais para as arquibancadas).

    No PRIMEIRO show que lembro de ter ido, ANTES de 1986 (mais para 1982), com SETE anos, acompanhado do pai e da mãe, assisti a Rita Lee, no Gigantinho, no lugar mais barato que tinha. Também tinha uns 4 degraus de preços.

    Mudou de nome, seccionaram a pista em duas, mas a prática não é nem um pouco “nova”.

    O mesmo vale para teatro, onde posições melhores são mais caras (e sempre foram), e não apenas shows de música.

    O que eu acho um problema maior é o preço, e principalmente, a QUALIDADE dos shows. Não pelos artistas, mas pela produção LOCAL. O som no Dream Theater e no Megadeth estavam horríveis. Pagar 100 pilas e não ouvir a música (e ainda a 100m do palco) é dose.

    Falando nisso, o Pepsi On Stage é uma piada de mau gosto para shows de música, né? (Teto de zinco e galpão do car….)

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  3. Posted by Gabriel on 10 de novembro de 2010 at 0:49

    De certa forma, a elitização ocorre no futebol, também… com a diferença de que nivela-se “não tão por cima assim”.

    Mas é fato, enquanto eu e tantos outros tentavam enxergar o Paul lá de longe, achando ótimo poder vê-lo no telão, ao menos, eu via a tal pista premium com metade do público – os fãzaços que comprometeram salários para chegar perto – cantando todas as músicas alto e a outra metade decepcionando-se porque ele havia começado a tocar a “desconhecida” Let ‘em In, e não Hey Jude. Aliás, juro que ouvi a frase “se ele não tocar Yesterday eu ficarei muito braba por jogar essa grana toda fora!” enquanto entrava no estádio.

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  4. Posted by Murilo on 9 de novembro de 2010 at 23:11

    Eu descobri a existência da pista VIp no show do Kiss em SP. E inocente que eu era, comprei ingresso e nem soube das divisões da pista. Chegando lá, fui tentando abrir espaço até a frente e me deparei com uma maldita grade. Aí me apresentaram a essa prática filha da puta. No meio do show é que fui conhecer a tal “pista VIP”. Isso é ridículo. Mesmo depois de criarem essa merda já assisti a grandes shows que não tinham pista VIP e foram ótimos. E com certeza não deixaram os produtores na mão por falta de grana. Pista VIP sux.

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  5. Bah, véio! Concordo contigo cara! Acho foda também. Confesso que compraria premium gold adamantium se tivesse grana. Mas que é uma filha da putisse sem tamanho é mesmo! abaixo as pistas ***ium e golds!

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  6. Posted by Gaby Lando on 9 de novembro de 2010 at 22:53

    Falou e disse tudo!!!
    Bom era o tempo em que eu ia furando, furando, furando e chegava lá na grade! Curtia tudo o que podia e ainda xingava quem tava ao meu lado sem agitar!
    Agora temos que ficar no mínimo 100m do palco e vendo a injustiça bem diante dos olhos!
    E bem como tu disse, se isso ao menos barateasse os shows, mas não! Tá cada vez mais caro!!!
    Absurdo é pouco!

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