A Liberdade e a Ditadura da Opinião

Hoje vivemos em um mundo onde a opinião é livre. O próprio Twitter se popularizou muito em cima disso. Cada um tem a liberdade de escrever o que quiser, quando quiser e da maneira que achar melhor.

Este blog é um exemplo prefeito disso. Um espaço onde eu, Marcel, escrevo o que bem entendo e jogo minha opinião nem sempre correta, nem sempre inteligente e nem sempre bem compreendida na internet. Então vêm os comentários, que também são uma opinião livre e forma-se o debate.

Todo mundo pode, dentro dos limites da lei, claro, emitir opinião hoje em dia. Pessoas que não são formadoras de opinião expõem suas opiniões formadas e as submetem à apreciação de quem tiver algum interesse.

Seria tudo muito lindo e muito belo, não fosse o paradoxo da ditadura que se forma através disso.

Explico. Antigamente (nem tão antigamente assim, falo menos de 20 anos, o primeiro blog data de 1992), opiniões eram emitidas basicamente por pessoas respeitadas como “formadores de opinião”, sejam elas artistas, jornalistas, estudiosos, especialistas, não importa… eram pessoas de referência em sua área.

Pessoas como eu e você emitiam suas opiniões, via de regra, em conversas particulares e elas morriam ali mesmo.

Hoje não. Com a sequencia Internet/Blog/Twitter qualquer um dá opinião e, principalmente, tem de arcar com a responsabilidade da emissão dela. Há consequencias, nem sempre mínimas, para uma opinião.

Hoje, com o turbilhão de opiniões por minuto proporcionado pelas ferramentas supracitadas, até mesmo os jornalistas passaram a ser mais cautelosos quanto a isso. Hoje vejo, especialmente no jornalismo cultural (do qual faço parte) uma ditadura do “freio de mão puxado”. O excesso de cautela acaba por calar opiniões e posicionamentos importantes, em nome de uma reputação, de uma imagem ou de uma boa vizinhança.

Hoje um artista tem todo o direito de ser uma merda medíocre. No máximo algum programa de humor vai fazer uma piada. Duas, talvez. Já os jornalistas vão evitar a crítica, ainda que construtiva, pois não querem se expor. Hoje os artistas têm medo da opinião dos jornalistas que, por sua vez, têm medo da reação dos artistas às suas opiniões e todo mundo fica sorrindo amarelo em silêncio. Legal. Muito cômodo.

Certa vez assisti um workshow do Marcelo Nova, que disse: “Nos anos 80 era muito melhor, não tinha essa coisa de todo mundo ser amigo, do mundo ser lindo e todo mundo se dar bem. Era pau no cu mesmo! Fiquem feliz quando Raul disse que a única banda do Brasil que prestava era o Camisa de Vênus”.

E hoje? Quem tem coragem de falar mal do que é ruim? Quem tem coragem de apontar os defeitos? Quem usa sua popularidade e a relevância da sua opinião para obstruir o caminho do que não tem qualidade e fermentar o que de fato merece se desenvolver?

Ninguém quer comprar essa briga ou briga alguma. Logo no Brasil, um país que tanto lutou pela democracia e pela liberdade de expressão.

É como comprar um carro e não dirigí-lo, pra não sujar.

Lamentável.

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