Ser Gordo

Eu, e a minha gordura. Foto: Paulo Capiotti

Quem me conhece pessoalmente sabe que sou gordo. São 104kg muito bem distribuidos em 1,74m de altura.

Eu me orgulho disso? Não. Definitivamente.

Eu não gosto de ser gordo, se pudesse escolher eu não seria. Mas, ao mesmo tempo, não é algo que me faça tanto mal assim. Se eu realmente sofresse com isso ou se eu realmente quisesse muito emagrecer, eu deixaria a preguiça de lado e envidaria todos os esforços para tal.

O problema é que é muita preguiça nesse corpo.

Além da preguiça, como qualquer gordo, eu gosto de apreciar boa comida. Gostaria de ser como o meu irmão Murilo (aquele que aparece na foto) que come muito, diz com orgulho “é bom comer” e se mantém magro. Essa é uma tecnologia que eu adoraria dominar.

Mas ser gordo traz alguns inconvenientes que vão muito além do preconceito em uma entrevista de emprego. vou enumerar alguns:

1 – Gordo não pode apreciar um prato da comida que mais gosta. Muita gente fica olhando e condenando. “olha lá aquele gordo, por isso que é assim!”.

2 – Gordo não pode cair tombo. Caiu porque é gordo.

3 – Gordo não pode suar. Está suando porque é gordo, mesmo que faça 40º.

4 – Gordo não pode vestir qualquer roupa. A indústria é feita pra gente com, no máximo, 85kg.

5 – Gordo não pode deixar vencer o desodorante. Está fedendo porque é gordo.

6 – Gordo não pode cometer erros ou ter desvio de conduta: é sempre um “Gordo filho da puta”. Aliás, “gordo” vem antes de qualquer xingamento, não importa qual, quando se é gordo.

7 – Gordo é o que peida. Mesmo que não seja ele.

Mesmo com todas essas desvantagens, posso dizer que me viro bem com meus quilos. O gordo não pode contar com aparência física para vencer na vida, portanto precisa aprimorar outras características. Sei que não sou um ser humano pior por ser gordo, e muito menos isso é algo que me faça sentir menor. Apenas sou diferente e foda-se ponto final. Não estou aqui pra levantar bandeira de “fat pride” ou qualquer coisa nesse gênero. Seria ridículo.

Alguns gordos fizeram história. Pessoas que fizeram história ficaram gordas. Outras não.

Só quero dizer que isso é um detalhe. Um mero detalhe.

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4 responses to this post.

  1. Engraçado que se procurar por Paulo Capiotti no google, tu ‘Ser Gordo’ em destaque.
    Pelo meu nome no crédito da foto, pelo meu comentário… ahahah

    Responder

  2. Legal que só um tempão depois eu venho corrigir meu erro ali:
    escrevi ENRAIGADO. Misturei enraizado com arraigado e inventei uma palavra nova.
    huahuauhua

    Responder

  3. Legal. E mais interessante ainda tu ter colocado esse nº6 aí, sobre o qual irei discorrer (essa palavra é bonita):

    “6 – Gordo não pode cometer erros ou ter desvio de conduta: é sempre um “Gordo filho da puta”. Aliás, “gordo” vem antes de qualquer xingamento, não importa qual, quando se é gordo”.

    Olha, meu velho…Nesse item 6 é só substituir “gordo” por “negro” e aí fica bem fácil entender porque enxergo racismo onde as pessoas estão “só de brincadeirinha”.
    São brincadeiras (de mau gosto) que são passadas de geração pra geração há anos, enraigadas numa mentalidade totalmente antiquada.

    Por isso, não sou chato. Só sou a favor de cortar esse tipo de preconceito que existe SIM e não é “de brincadeira”.

    Se o Tom Cruise fizer uma besteira, ele é um idiota.
    Se o Jô Soares fizer uma besteira, ele é um “gordo idiota”.
    Se o Tiger Woods fizer uma besteira, ele é um “preto idiota”.

    Infelizmente.

    Responder

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