Tony da Gatorra

Existe ainda uma pessoa que faz música 100% com o coração.

Tony e a Gatorra

Eu disse uma. Seu nome é Tony da Gatorra.

Em um tempo onde as bandas já nascem com um figurino pré-pronto, um som produzido, copiado e colado em série e nenhuma, eu disse NENHUMA atitude, Tony se diferencia totalmente de qualquer coisa que já tenha surgido até hoje.

Tony começou a ganhar alguma exposição no final da década de 90, com apoio do pessoal da Rádio Ipanema de Porto Alegre. Criou um instrumento singular, o qual batizou de Gatorra, que consiste basicamente em uma mistura de batidas eletrônicas, sintetizadores e outros sons que adaptou com a evolução do instrumento.

Seu primeiro álbum foi gravado com o dinheiro da venda de uma moto. Vendeu poucas cópias, mas o projetou. Apresentando canções simples, que contavam apenas com voz e gatorra, era recheado de letras de protesto. Paz, violência, verdade, política e consciência são as temáticas preferidas desse artista incompreendido por muitos.

Enquanto aqui no Brasil é visto como uma forma bizarra de música, Tony ganhou notoriedade internacional. Se apresentou em diversos países. Vendeu uma Gatorra para o pessoal da conhecida banda Franz Ferdinand.

Mas, como não é surpresa pra ninguém, no Brasil as coisas são mais difíceis.

Eu conheço Tony. Ele mora ali, do outro lado da rua. O  técnico em eletrônica (sim, as pessoas precisam trabalhar…) é morador de uma vila humilde em frente ao condomínio onde moro. Certa vez perguntei a ele sobre as viagens ao exterior, sempre divulgando sua música e sua mensagem. Ele me disse: “Aqui o pessoal não curte tanto. Curte mais é la fora… Estou vendo outros países já…”. Como se fosse um pequeno passo. Assim. Muita humildade, nenhuma soberba, mesmo tendo conhecido mais países do que a maioria das pessoas que moram na sua cidade.

Em outro bate-papo com Tony, perguntei se tinha cobrado mais, por se tratar de um astro. “Não, porque não tá com nada, né?” respondeu ele, com seu jeito simples e humilde.

Tony se apresentou no exterior, conheceu pessoas, levou o nome do Brasil. Divulgou sua mensagem em português. Recentemente gravou um álbum com Gruff Rhys, do Super Furry Animals. Foi mais longe do que a maioria dos que falam mal dele. E não se importa.

Tony é um exemplo de pessoa que acredita no que faz, acredita na sua música e, principalmente, é fiel a seus princípios. Independente de gostar ou compreender sua música, é um cidadão que merece nossa admiração.

Para quem não conhece,  ficam alguns vídeos. É possível ver duas apresentações de Tony: uma para poucas pessoas em uma praça em Esteio e outra em Liverpool. Mostra bem essa triste dualidade. Mas não há de ser nada.

Tony da Gatorra e Gruff Rhys – House with no Mirrors

Tony da Gatorra – Rap Verdade (Esteio)

Tony da Gatorra e Gruff Rhys – House with no Mirrors (Glasgow)

Tony da Gatorra e Gruff Rhys – Voz dos Sem-Terra (Liverpool)

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