Preconceito Contra Nordestinos

Costumo discutir assuntos diversos frequentemente com um grupo de amigos através do Orkut. Recentemente discutimos bastante a idéia do separatismo do RS e chegamos ao assunto deste post: o preconceito contra nordestinos.

Um grupo de facistas imbecis pessoas em São Paulo criou o “Manifesto São Paulo para os Paulistas”.

A idéia é essa mesmo.

Confira o texto na entrada do site do manifesto.

“Nós paulistas andamos nas ruas e não nos sentimos em casa. Só se vê pessoas de outra cultura e valores. Desrespeitam nossos costumes, e o paulista é forçado a se calar. Do contrário, recebe acusações de “preconceito”. Que democracia é esta, na qual a liberdade de expressão é unilateral? Na qual pessoas ofendidas tem que se manter caladas? Estão exigindo a inserção da cultura nordestina na grade curricular das escolas paulistas!!!! Estão criando em São Paulo leis em homenagem a si mesmos! A nossa terra, estão considerando uma extensão do Nordeste. Porém, nós paulistas jamais fomos ouvidos em nossas opiniões. Em resposta a tudo, fazemos o nosso democrático Manifesto.”

Ok.

Hoje, através do meu amigo Emil, recebi o seguinte post preconceituoso de uma menina paulista, do blog Junk Vegan Food:

“Eu estava escrevendo no meu diário e pensei: “Eu tenho um blog; não importa que ele seja sobre comida, posso escrever o que quiser nele”. Aí vai:

Hoje eu vi mais uma reportagem sobre a prefeitura destinar os prédios abandonados no centro de São Paulo para moradia popular.
Vocês não imaginam como isso dói em mim. Nasci e cresci em São Paulo, passava as tardes de domingo na República, sonhava em morar nos casarões do centro, pensava em comprar os prédios destruídos e deixá-los lindos.

As pessoas que necessitam de casas facilitadas pela prefeitura são, na maioria, nordestinos. Não acho que eles não mereçam uma casa própria. O problema é dar a cidade à quem não é paulistano. Vejam os bairros de maioria nordestina, como Pirituba por exemplo, como são malcuidados e cheios de lixo. Não é porque essas pessoas sejam naturalmente mal-educadas, é porque elas não se identificam com a cidade. Não têm o amor que eu tenho, nem a pena de sujar o chão da minha própria casa. Na cidade delas podem ser cidadãs de orgulho; fora não há porque ter respeito: não é a casa delas.

Eu não quero o centro da minha cidade maltratado. Eu quero ele bonito para um cartão postal, eficiente para seus habitantes, globalizado para suas empresas. Não quero ver um monte de pixação nos meus prédios, nos meus monumentos, nem montes de lixo nas minhas calçadas, muito menos quero ver o desprezo que muitos têm pela minha cidade.

Não estou sendo romântica. Os casarões antigos nos quais já foram colocados novos moradores (antes residentes na periferia da cidade) estão destruídos. Ninguém cuidou da estrutura, dos jardins, da fachada. Os imóveis estão fétidos. Dá asco passar pela Luz. E eles poderiam ser bibliotecas, espaços para cursos, até mesmo centros de reabilitação para drogados. Mas são mal usados.

Isso é triste. Quem não sente o mesmo pela sua cidade não teve sensibilidade como quase ninguém tem com o mundo. Eu tenho a minha Pasárgada e não vou deixar ninguém destruí-la.”

Eu gostaria de comentar 3 coisas sobre isso.

1 – São Paulo é o que é muito em função do trabalho dos nordestinos, que essas pessoas agora querem refugar.

2 – Se esses paulistas que estão articulando esse movimento fossem alvo de um movimento semelhante, por exemplo. em Londres, estariam buscando seus direitos.

3 – A segunda guerra mundial começou por conta de um raciocínio idêntico a esse.

É rídiculo que essas pessoas aleguem amor a São Paulo ou até mesmo à democracia para justificar suas atitudes facistas.

Lamentável.

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7 responses to this post.

  1. Marcel, acho que sem querer não enviei minha última msg, por isso a reescrevo.

    Não estou te culpando, por isso não peça desculpas.
    Eu não faço parte desse MSPPP, nem sabia que ele existia, nem tenho vontade de fazer parte.
    Como disse, eu aprendi muito. Muito mesmo.

    Interessante seu blog expor opiniões. Se esse fosse meu objetivo, seria um fracasso.
    =)
    (pode ter certeza que sorrir é a última coisa que eu vou fazer nos próximos meses)

    Responder

  2. Não estou te acusando disso. Não precisa se desculpar.
    É que é péssimo ver meu nome relacionado à uma coisa tão suja. As pessoas que me conhecem sabem que isso não tem nada a ver, mas as que não sabem estão me ofendendo. Talvez já tenha até alguma comunidade contra mim no orkut ou twitter (eu não uso essas coisas,então não sei) e isso é pavoroso.
    Eu nem conhecia esse MSPPP, só fiquei sabendo quando li seu post e não sou da opinião deles.
    Como eu já disse, aprendi muita coisa. Muita coisa mesmo.

    Interessante seu blog existir para expor opiniões. Pelo jeito se eu seguisse esse rumo, seria uma tragédia. =)

    Responder

  3. Posted by Vítor on 19 de julho de 2010 at 1:22

    Parei no “Junk Vegan Food”.

    Responder

  4. Interessante que o fascimo é também não poder expôr a sua opinião. Eu não critiquei os nordestinos em geral. Foi um exemplo. Alguns turistas que vêm ao Brasil também não tratam nossas mulheres como lixo? é porque não são as mulheres da nação deles, eles não tem identidade com elas. Alguns filósofos já discutiram isso. Não falo deles porque sou xenófoba, é algo que vejo. Também recebi um e-mail de um morador da Mooca que lamenta o modo como os bolivianos tratam seu bairro. E eu sei que ele não pensa horrores dos bolivianos só por causa disso. Como eu não penso mal dos nordestinos.
    Apenas vi algumas distribuições que foram um fracasso. Acho que a distribuição de moradias em um centro histórico deve ser bem pensada e organizada.
    É bem lógico que as pessoas critiquem quem fala mal de algum projeto de ajuda social. O brasileiro tem mania de assistencialismo. Tudo o que “passe a mão na cabeça” é bem visto.

    Nunca tive problemas de preconceito. Tenho grandes amigos cearenses. Talvez se as pessoas soubessem interpretar um texto veriam que eu não queria ferir nenhum grupo social.

    Responder

    • Carla.

      Entendo seu raciocínio, mas a maneira como você o expôs e o próprio pensamento é um pensamento de exclusão social.

      Inclusão social é tudo pelo que os brasileiros lutaram por 500 anos.

      Não é “mania de assistencialismo”. Conceitos como igualdade, fraternidade, humanidade e respeito independem do lugar de onde você vem.

      Como eu disse no post, a segunda guerra mundial começou por causa de um raciocínio idêntico a esse. A idéia era de Alemanha para os alemães.

      As pessoas devem ser respeitadas não por serem paulistas ou nordestinas, mas por serem todos seres humanos.

      Responder

      • Eu peço desculpas à todos que ofendi. NÃO era a minha intenção.
        Errei e aprendi com meu erro:
        -aprendi que a nossa educação é a mesma em qualquer parte do país e do mundo;
        -aprendi que eu posso machucar as pessoas sem intenção e que isso pode ter consequências graves;
        -aprendi a não expôr a minha opinião, principalmente sem refletir o máximo possível;
        -aprendi o que é bullying, o que é ser ofendida e o que é a incompreensão das pessoas.

        Não queria que isso tivesse consequências tão terríveis como teve. Sinto-me completamente punida. Já tomei minha cicuta, espero que as pessoas sosseguem e deixem-me refletir em paz. Mais uma vez, peço desculpas.

      • Carla
        A intenção não é “bullyar” ninguém.
        Agora quem pede desculpas se foi assim que tu te sentiu, sou eu.
        Meu comentário foi contra o teu posicionamento e, principalmente, do Manifesto São Paulo Para os Paulistas”.
        Eu não odeio você nem as pessoas que fazem parte do MSPPP, mas eu sou totalmente contrário aos posicionamentos expostos. E meu blog é pra isso, expor opinião.
        Realmente a internet é perigosa nesse ponto.
        É uma situação bastante delicada.
        O lado bom(?) é que até em situações extremas como essa a gente aprende.
        Abraço.

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