A Carência de um Grande Festival

Noite de domingo é sempre aquela coisa: depressão pré-segunda.

Mas este, especialmente, foi diferente. Tudo começou com uma inocente “tuitada” da minha amiga Eliane Fronza (@elianefronza) com um link para a magnífica apresentação do magnífico Them Crooked Vultures no festival europeu Rock am Ring.

Além deles, se apresentaram também Placebo, Rammstein, The Hives, Bad Religion e mais uma caralhada série de bandas legais.

Ah, a abertura do evento, na quinta, ficou a cargo “só do Kiss só”. É mole?

Isso me fez “perder” várias horas do meu domingo assistindo shows em streaming como se fosse uma transmissão de TV.

Ao mesmo tempo que fiquei deveras feliz e satisfeito com as maravilhas da tecnologia (o Twitter pra me avisar e a internet pra transmitir), fiquei pensando “Por que não temos um festival desses por aqui?”

Gosto de pensar em alguns aspectos.

1 – Custa muito dinheiro.

Sim, custa. É muito mais fácil escalar um cast com várias bandas européias, onde os países ficam próximos e permear a lista com alguns artistas de outro continente do que chamar essa galera toda pro Brasil. Além disso, a estrutura teria de ser monstruosa. Mais custos. Por fim, a iniciativa privada teria de ser responsável, visto que se formos pensar em incentivos do governo, melhor esquecer…

2 – O Rock não é popular como lá.

Verdade. Mais fácil lotar uma micareta na Ulbra do que um festival com nomes do porte de Kiss e AC/DC.

3 – O público não comparece.

Aqui está o principal problema.

Estruturar a coisa para que tudo aconteça gastando o mínimo possível (ainda que esse mínimo seja muito) e peitar o fator cultural que insiste em acreditar na ilusão de que Rebolation é melhor que Beatles, é possível.

Mas se a galera não vai, não rola. Produção é um negócio e ninguém entra no mercado para levar prejuízo.

Não temos grandes festivais no Brasil. Temos o Maquinaria, o Planeta Terra, o Planeta Atlântida, o Festival de Verão de Salvador… mas nada como os grandes festivais europeus.

Talvez fosse o momento de tentar, em Porto Alegre mesmo, um festival com grandes nomes, de diversos estilos, talvez nos moldes do Rock am Ring, talvez nos moldes mais abrangentes do Rock In Rio.

Algo que fosse único, que fizesse com que pessoas de todo o Brasil comparecessem e, assim, pagassem a conta deste empreendimento.

Arriscado? Sim. Difícil? Sim. Sonho? Sim.

Mas sonhar não custa nada.

A carência de um grande festival perdura. Metallica botou 33 mil pessoas em Porto Alegre. AC/DC em SP, 70 mil. As pessoas sonham com isso.

Algo desse porte aceitaria até mesmo um ingresso de valor mais elevado. O que é considerado abusivo por alguns pode ser perfeitamente aceitável quando se tratar de 18 artistas em 2 palcos.

E ainda seria a oportunidade perfeita para bandas nacionais e locais.

Mas é preciso a consciência de que é preciso comparecer para que o evento aconteça.

Eu sonho mesmo e não estou nem aí.

Um dia acontece.

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2 responses to this post.

  1. Concordo simplesmente com tudo. Se o público comparecesse, inclusive, o preço dos tickets poderia ser reduzido… Enfim… Problemas culturais, problemas na educação…

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  2. Em Porto Alegre o único geito de lotar um festival assim é com um mega nome para fechar, tipo AC/DC, Metallica, Iron Maiden, U2, Ozzy, Kiss, etc. Um Scorpions, por exemplo, já não lotaria, como deu pra ver no Live’N’Louder.

    E arrisco dizer que em SP tb depende de um desses nomes, apesar de que lá é mais fácil de ter um bom público mesmo que o nome principal não seja do tamanho dos citados.

    Responder

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