Jabá e a Falsa Liberdade

Do WIKIPEDIA:

Jabá pode se referir a:

  • um tipo de carne-seca
  • exposição na mídia em troca de dinheiro, ou jabaculê
  • gíria para suborno

Sou músico.

Raça maldita que só se fode encontra dificuldades pelo caminho. Mas a maior delas é, com certeza, o Jabá. Para quem não é do meio, explico melhor. Estamos falando do Item 2.

Antigamente (dizem, eu não lembro disso), as rádios tocavam os artistas sem problema algum. Bastava uma fita-demo. Gravada em estúdios de qualidade duvidosa, em K7 mesmo.

Passado um pouco do tempo, a arte não bastava. Era preciso um bom networking. Conhecer o cara da gravadora, da rádio, da casa noturna, da puta que pariu. Poucos artistas tinham isso, então criou-se a cultura de que a exposição na mídia era para “poucos eleitos”.

Mais um tempo e veio o Jabá.

Um câncer que permanece até os dias atuais.

Formar uma banda, hoje, é sinônimo de prejuízo. Se eu decidir, agora, na frente do computador, formar uma banda, já saio pagando. Ligar para pessoas, marcar ensaio, pagar estúdio só pro começo do início. Ensaiar (pagando) até ficar bom e gravar uma faixa em um estúdio razoável é o mínimo do mínimo. Ter um site oficial e um myspace farão com que você chegue ao status de agulha no palheiro. Existem mais de UM MILHÃO de bandas no Myspace.com

No entanto, infelizmente, uma banda é um produto. E para esse produto ter visibilidade é necessário algo que está para a música assim como a propaganda está para o comércio: divulgação.

Então o garoto em começo de carreira pensa: as rádios! claro! elas tocam música! Se a música for realmente boa eles tocarão!

Não.

Desculpe decepcionar, mas não.

O Jabá já está institucionalizado. E jabá não é só dinheiro. É produto, é computador, é promoção, é 30 shows de graça. Isso, depois de você ter pago outros jabás, o do produtor e o do divulgador.

Assim como juro sobre juro, é jabá sobre jabá.

E, desnecessário dizer, 99.9% das bandas não tem alguns milhares de reais para pagar por algumas execuções por dia durante duas semanas.

Mas veio a Internet. O paraíso.

Paraíso o caralho nada!

O avanço tecnológico trouxe a comunicação livre na Internet, trouxe Orkut, Facebook, Twitter, Blog, Site, Spam, MSN, Myspace, Purevolume, Tramavirtual, PalcoMp3, Fotolog e uma pá de coisa que as bandas não tem saco pra atualizar. Trouxe também para a realidade o sonho de gravar em casa. É possível com um bom computador obter boa qualidade de gravação. E a livre concorrência derrubou o preço de uma guitarra fuleira para R$299,00.

Resumindo: ter uma banda ficou tão fácil quanto fazer um miojo.

Ok, existem rádios onde o jabá não existe. E é a elas  que os músicos que querem alguma divulgação de forma limpa e honesta se apegam. Esses veículos merecem todo o nosso respeito, porém, infelizmente, são poucos.

A Internet é para todos, mas tem um alcance muito pequeno quando não se tem um exército de meninas entre 11 e 16 anos votando o dia inteiro.

A Internet é democrática, mas o download livre não paga as contas de artista nenhum.

É a falsa liberdade. Somos quase livres, e isso é pior do que a prisão.

Na Internet todos tem chancer iguais. Mas apenas de ir até a esquina.

Para ir adiante, ainda é necessário saber como a máquina funciona e colocar um “azeitezinho” nela.

Sad But True.

Seria melhor se estivéssemos falando apenas de carne-seca.

PS: Não venha falar de Arctic Monkeys ou Mallu Magalhães. Exceções não derrubam a regra, apenas a reforçam.

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One response to this post.

  1. Posted by Nélio on 26 de maio de 2010 at 21:54

    Estou contigo e não abro… essas falsas bandas é um grave problema até para sociedade.

    Responder

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